Nos dois dias em que fiquei em Brasília nos encontros com a equipe do Senar, CNA e Instituto CNA, nossa equipe de professores e ainda com os alunos, ouvimos a importância de se conhecer melhor o nosso país, nosso continente e, porque não, o mundo. Há uma diversidade cultural imensa marcada por histórias, costumes, sotaques e muito mais que nos encanta e nos assusta. Quem de fato somos nós? Quem somos e no que acreditamos – brasileiros e lationamericanos? Que poderes nos regem, que verdades seguimos, que temores guardamos em nossos corações?
Nesses três dias de debate, falamos muito sobre os mitos que conhecemos sobre o Brasil e sobre o mundo. Rimos ao nos lembrarmos dos estrangeiros que ainda acreditam que, em qualquer lugar do Brasil, há jacarés, cobras e cipós! Mas também, abaixamos a cabeça para refletir e reconhecer o nosso desconhecimento e nosso preconceito em relação aos estados não divulgados nas novelas, nos filmes e nas propagandas do Brasil. Afinal, quem é o povo do Tocantis? O que há na Bahia além do axé e do acarajé?
Pensando sobre cada palavra, cada debate dessa intensa e tão valiosa discussão, me encontrei com minhas tias e minha prima, componentes do grupo Matizes Dumont que me entregaram, para divulgar nesse espaço, um texto em homenagem a Pachamama, que para os andinos, é uma deusa, a Mãe terra, uma geradora de abundância e de tudo o que há na terra.
O grupo de minhas tias e primas - Matizes Bordados Dumont, bordou uma tela, numa releitura da obra de Gilles Colete, que foi a identidade visual para o tema do dia mundial da saúde de 2008.
Abaixo o texto escrito por Ângela Dumont que entendi como um presente e um ungüento para o que viveremos nos próximos dias, diante de um Brasil que não conhecemos mas que, naturalmente, já aprendemos a amar e respeitar.
PACHAMAMA
Grande Mãe das Américas, protetora nossa. Nós te celebramos e reverenciamos. A ti oferecemos os frutos de nossos trabalhos cotidianos em saúde e ambiente. Acolhe nossos sonhos de pertencimento. Fortalece nossas ações. Enraíza nosso corpo e nosso espírito nas tarefas concretas de semear, plantar, colher e acolher nossas gentes, bichos, águas, matas, cerrados, florestas, mangues, restingas... PachaMama, livra-nos da fome e das guerras, das discórdias e da fragmentação. Nutre nossas esperanças, grão a grão, de viver nosso tempo apaixonadamente e transformá-lo. Grande Mãe PachaMama. Protege-nos das tempestades, das devastações e calamidades. Dá-nos um coração sensível, aberto, expandido, para amar-nos uns aos outros e compreendermos nossas diferenças. Dá-nos saúde e prosperidade para vivermos uns com os outros os caminhos da complementaridade. Guia-nos com a força e a sabedoria de nossos antepassados e abençoa os que vierem depois de nós.
Ângela Dumont, Brasília, Brasil, abril de 2010
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